Archive for the ‘desabafos & desafetos’ Category

soco no estômago

07/05/2009

um amigo me mandou um link para um vídeo do youtube sem maiores detalhes, somente disse “VEJA”.

eu abro o link, parece um curta, ou trailler, algo do gênero. e realmente era um trailler. confesso que a princípio achei meio chatinho, mas resolvi terminar de assistir para ver do que se tratava.

ao final dos 4 minutos e pouco do vídeo, eu não tinha reação sobre o que acabara de ver. assisti mais duas vezes, pra tentar digerir a situação.

curioso?

vê aqui, ó.

mal posso esperar pela estréia de “do começo ao fim”.

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coisas

20/11/2008

era setembro, e eu me lembro dela jogada no vaso sanitário de um club noturno, abraçada a uma lata de lixo, dizendo coisas desconexas. tudo culpa de duas cervejas e remédio pra gastrite. cheguei a pensar que ela tinha morrido, presa dentro daquela cabine imunda, dessas casas noturnas que não fazem a diferenciação de banheiros masculino e feminino. eu trouxe uma água, com gás. mas não adiantou. passei a noite lá, cuidando dela.

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e eu me lembro também de estar em brasília, em um outubro desses, com a melhor amiga, conhecendo uma guria que achávamos o máximo, e que, posteriormente, viria a se tornar uma das pessoas mais queridas por mim. estávamos num boteco que vendia somente antarctica gelada, e não sei se era a felicidade do momento, ou o que era, mas foi a antarctica mais gostosa que tomei na minha vida. e nessa noite compramos sabonetes em formato de mini-pênis, de um sujeito que passou por lá oferecendo. e rimos muito. e bebemos 180 r$ de cerveja (antarctica, volto a frisar).

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e isso tudo me transporta até 1844, eu fazia segundo grau, e tinha uns amigos que se achavam doidos demais. mas o máximo de rebeldia que faziam era beber refrigerante barato na rua de madrugada, sem vodca ainda. não era aquela coisa de hoje, “gimme two shots and i’ll be fine”. no máximo, um cigarrinho escondido na hora do recreio. e, claro, chocava a todos o fato de que alguns deles tiveram coragem de ser gays numa época em que isso ainda não era o último grito da moda.

19/11/2008

e daí tem o ônibus que você pega errado. a noite mal dormida. o mal humor típico das manhãs. o café que faz falta. o google que insiste em apresentar resultados errados quando você procura “como tirar ferrugem metais”. o player de música que age como se tocasse um cd todo arranhado. o primeiro “eu te amo” ouvido depois de 3 anos. os projetos que você começou mas nao tem tempo de dar continuidade. os telefonemas que você só se lembra quando não está perto do telefone. o celular sem crédito. a carteira sem dinheiro. o pacote que chegou pelo correio. aquele cigarro no meio de mais uma noite mal dormida. pernilongo filadaputa. a amiga que você encontra dentro do onibus. o seriado que não acaba nunca de baixar. madonna cantando “bedtime story”. o trabalho para amanhã que não foi começado. o primeiro “eu te amo” falado depois de 3 anos. a paciência que se esgota. a saudade dos velhos amigos. o sentimento de estar sozinho.

do medo de amar

29/09/2008

e concluo, então, que a dificuldade das pessoas em manter um relacionamento estável, ou minimamente cúmplice, está no fato de que ninguém quer abrir mão de suas manias, idiossincrasias, pelo outro. querem ser a forma de gelo, e nao a água – se adapte a mim, e seremos felizes enquanto você não derrete.

mas, como eu mesmo já disse, segundo minhas conclusões que nada tem de verdades absolutas, o que mais se têm hoje em dia é um sentimento que pode ser definido pela palavra medo. isso mesmo que você leu: M-E-D-O.

medo de abrir a porta. de se tornar vulnerável. de enlouquecer. de perder o controle – porque apaixonar-se verdadeiramente por alguém é perder o controle. e é muito mais seguro e confortável ficar no cantinho da festa, fazendo a linha “ok, estou bem aqui e sou uma pessoa centrada e autosuficiente”.

é tão difícil, e ao mesmo tempo tão bom quando você encontra alguém que não pensa assim! alguém que tem coragem pra se mostrar, bonito, feio, estranho, sensato, louco. alguém que tem coragem de abrir a porta, nem que seja a dos fundos (e sem putaria agora, oquei?). alguém que queria guardar as fotos daquele verão, daquela tarde ao som do violão. aquele papel do bombom dado no primeiro encontro. que queira acordar ao lado de alguém, e se sentir feliz simplesmente porque a primeira imagem que se vê quando abre os olhos, é o rosto da pessoa amada, com os olhos sujos de remela e a boca com vestígios de baba.

ok, hoje em dia se compra tudo, ou quase tudo. existem acessórios eróticos que cumprem as vezes de parceiros, existem filmes que suprem a nossa carência romântica, e é muito mais seguro se emocionar quando o mocinho beija a amada na tela, e se sentir confortável com isso. mas lembranças não podem ser compradas, nao se pode ligar pra um personagem da meg ryan quando se precisa de um abraço.

e é por isso que eu tou assim, hoje. porque a dois meses eu sou mais feliz. porque eu posso te ligar se preciso de um abraço, e mesmo que nao o receba de pronto, eu sinto que estou sendo abraçado pelo seu coração. que eu uso o seu casaco sempre, que guarda o seu cheiro. que eu invento músicas pra cantar no seu ouvido, quando você finge cair da cama.

por isso que eu escrevo esse post, especialmente para você.

das cores

23/06/2008

lá onde ela mora, as pessoas sabem o nome uma das outras. lá, é “fulano da esquina”, ou “seu zé do bar”. as crianças andam com o pé no chão e brincam como crianças, realmente – de pega-pega, de corrida. se maravilham com uma cama elástica.

lá se pode ver todas as estrelas à noite. e o ar puro causa incômodo a pulmões acostumados à poluição e a vários cigarros / dia. lá se pode ouvir o barulho dos grilos, e tem o pôr-do-sol mais incrível que você pode experimentar. e a sensação de sair do carro, e deixá-lo aberto, com a chave na ignição, para jogar uma partida de sinuca valendo uma coca-cola, é coisa que me assusta.

lá você sente a terra nos pés, e se suja, e isso não é coisa ruim. e você volta a ser criança. e, estando lá, você deixa as dores pra trás, e esquece que é adulto, e que o coração anda machucado, e que dói, sempre. mas sempre há uma foto com você, no celular – malditas câmeras embutidas. mas percebe que o melhor é deixar o telefone desligado, mesmo porque lá não há sinal.

e você vai vendo que as cores vão sumindo, ou melhor, vão adquirindo outras tonalidades. e o coração dá uma trégua. você sabe que é passageiro, mas ajuda. mas as cores insistem em mudar, a todo instante. mesmo que se esforçe para o contrário.

foi um final de semana de descobertas. talvez de mim mesmo.

03/06/2008

e sabe, se hoje eu te encontrasse eu queria saber o porquê. da saudade, da ausência, do medo. eu não ofereço risco – pelo menos não nos primeiros cinco minutos de conversa. me pague uma cerveja, e terá tempo suficiente pra se explicar. não que isso seja uma obrigação sua: tanto não é, que você não o fez. mas, muitas vezes, o bom-senso e o respeito nos pede que tenhamos atitudes que não nos são obrigatórias.

eu iria te fazer entender as coisas pelas quais passei, pra chegar até esse momento, aqui e agora. que eu tropecei, ralei os joelhos, me ferrei, mas vivi. e que uma explicação faria menos mal do que a ausência da mesma, porque deixar alguém sem explicações é cruel, e digo mais, é covarde. é a forma mais terrível que você pode usar pra dizer a uma pessoa que “acabou”. tudo dói menos: a verdade, a amor, o desamor, a traição. mas a ausência de justificativas é o pior caminho que se pode pegar. e, não obstante o gosto ruim na boca, deixa também uma sensação de que eu não fui absolutamente nada pra você, e sequer mereço uma satisfação. é também a forma mais sutil de se reduzir alguém a um monte de merda.

mas também pudera. eu queria poder esperar algo mais. mas você, que deve estar se divertindo agora em algum lugar distante daqui, não faz, nem nunca fez questão. se é que pensa e mim em algum momento, não creio sentir o mesmo que eu. porque eu fui honesto, eu coloquei as cartas na mesa. eu me mostrei, porque não tive medo. talvez devesse ter tido. talvez devesse ter mantido informações menores – nem por isso menos importantes – debaixo da mesa. ou então, devesse tê-las maquiado ou pintado com cores bonitas, com ares de carnaval.

tudo que sei, é que sinto sim, sua falta. não há como negar, mesmo porque eu não preciso fazer isso. eu vivo minha vida, cuido das minhas coisas, você cuida das suas. é a oração da gestalt, de perls, que eu li pra você a um tempo atrás. mas não me peça pra engolir tudo e montar um sorriso despretensioso. como diria renato russo, “queria ser como os outros, e rir das desgraças da vida. ou fingir estar sempre bem, ver a leveza das coisas com humor…”

20/05/2008
“eu faço minhas coisas, você faz as suas
não estou neste mundo para viver de acordo com as suas expectativas
e você não está neste mundo para viver de acordo com as minhas.
você é você, e eu sou eu
e se por acaso nos encontramos, é lindo
se não, não há nada a fazer.”

(Perls, 1976, pp13-17.)

momento desabafo

18/05/2008

só pra constar: eu odeio me sentir abandonado, mesmo quando sei que nao estou sendo.

e eu vejo isso como um sintoma de que, perigosamente, existe uma possibilidade de eu ter baixado a guarda.

[auto-sabotagem mode on]

é pessoal

07/04/2008

e eu poderia ficar aqui até o fim dos meus dias discursando sobre como estou decepcionado com as pessoas, e bla bla bla whiskas sachet. mas sabe, eu já cansei. não vale mais a pena eu perder meu tempo, minha noite de sono, e ganhar uma ruga a mais por causa disso.

umbeijoemeliga

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federal

04/04/2008

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a ufes – universidade federal do espírito santo, pra quem não sabe – é como a maioria dos órgãos públicos. ou seja, não funciona. e posso dizer isso com conhecimento de causa, afinal, já se vão 6 anos de universidade, entre trancamentos, indas e vindas e reprovações pelo caminho.

hoje mesmo, acordei às 6:45 da manhã depois de uma noite mal dormida, para ir assistir a uma aula de duas horas – das 08 às 10 horas. depois de um ônibus lotado, salto no ponto da universidade, me dirijo até a sala de aula (que mudou e os alunos não foram comunicados…) e me deparo com o seguinte aviso na porta:

“não haverá aula de ‘sociologia da comunicação’ nessa sexta feira. motivo: doença”

bom, eu sempre desconfio de professores que ficam doentes. e isso me remete a 1789, quando entrei nesta mesma faculdade, e tinha uma professora de psicologia que matava, ou adoecia, um parente próximo por semana. me lembro bem do episódio, durante a copa do mundo, em que ela comunicou à sala que não poderia comparecer para dar a aula pois estava muito doente, e tal. ok, todos tem o direito de ficar doentes, não é verdade, pessoal? pois então, sei que, dispensados da aula (que era à tarde), resolvemos ir assistir ao jogo do brasil em um barzinho próximo a universidade.

chegando lá, adivinha quem encontramos, toda uniformizada, e com copinho de cerveja na mão? ganha um doce quem acertar. se você respondeu a professora pseudo-eferma de psicologia, acertou, pode cobrar o doce depois. também, nos vingamos: sentamos na mesa dela e ela teve que pagar uma rodada de cerveja pra todo mundo.

não digo que o professor de sociologia desse semestre está fazendo o mesmo, claro. mas eu já desconfio de tudo que acontece naquela faculdade…