Archive for novembro \20\UTC 2008

coisas

20/11/2008

era setembro, e eu me lembro dela jogada no vaso sanitário de um club noturno, abraçada a uma lata de lixo, dizendo coisas desconexas. tudo culpa de duas cervejas e remédio pra gastrite. cheguei a pensar que ela tinha morrido, presa dentro daquela cabine imunda, dessas casas noturnas que não fazem a diferenciação de banheiros masculino e feminino. eu trouxe uma água, com gás. mas não adiantou. passei a noite lá, cuidando dela.

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e eu me lembro também de estar em brasília, em um outubro desses, com a melhor amiga, conhecendo uma guria que achávamos o máximo, e que, posteriormente, viria a se tornar uma das pessoas mais queridas por mim. estávamos num boteco que vendia somente antarctica gelada, e não sei se era a felicidade do momento, ou o que era, mas foi a antarctica mais gostosa que tomei na minha vida. e nessa noite compramos sabonetes em formato de mini-pênis, de um sujeito que passou por lá oferecendo. e rimos muito. e bebemos 180 r$ de cerveja (antarctica, volto a frisar).

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e isso tudo me transporta até 1844, eu fazia segundo grau, e tinha uns amigos que se achavam doidos demais. mas o máximo de rebeldia que faziam era beber refrigerante barato na rua de madrugada, sem vodca ainda. não era aquela coisa de hoje, “gimme two shots and i’ll be fine”. no máximo, um cigarrinho escondido na hora do recreio. e, claro, chocava a todos o fato de que alguns deles tiveram coragem de ser gays numa época em que isso ainda não era o último grito da moda.

19/11/2008

e daí tem o ônibus que você pega errado. a noite mal dormida. o mal humor típico das manhãs. o café que faz falta. o google que insiste em apresentar resultados errados quando você procura “como tirar ferrugem metais”. o player de música que age como se tocasse um cd todo arranhado. o primeiro “eu te amo” ouvido depois de 3 anos. os projetos que você começou mas nao tem tempo de dar continuidade. os telefonemas que você só se lembra quando não está perto do telefone. o celular sem crédito. a carteira sem dinheiro. o pacote que chegou pelo correio. aquele cigarro no meio de mais uma noite mal dormida. pernilongo filadaputa. a amiga que você encontra dentro do onibus. o seriado que não acaba nunca de baixar. madonna cantando “bedtime story”. o trabalho para amanhã que não foi começado. o primeiro “eu te amo” falado depois de 3 anos. a paciência que se esgota. a saudade dos velhos amigos. o sentimento de estar sozinho.

pesado

12/11/2008

e eu posso dizer, que isso é realmente pesado pra eu aguentar calado.