e isso tudo me leva a 1748, mês de agosto.

era uma vez adolescente quieto e retraído, sem muitos amigos, daqueles que te olham com desconfiança quando você se aproxima, cujo único refúguio era um caderno de segredos. e também alguns cigarros. e talvez um pouco de álcool – bem forte, de preferência.

aí, aconteceu então uma desgraça: ele se apaixonou pela primeira vez. o que era pra ser uma coisa boa, foi se transformando em um potencializador para a confusão que já se instalava na mente juvenil de uma pessoa de 17 anos, confusa e com medo do mundo. e que morava numa cidade pequena. e que levava “bolinhas” na escola.

pois bem. ele foi então aprendendo a duras penas a lidar com essa coisa estranha chamada amor. era contraditório, logo ele que viva se queixando por nunca ter experimentado esse sentimento, que também é, por natureza, paradoxal.

mas aí eu sei que aconteceu o seguinte: três anos pensando na pessoa. três anos querendo morrer a cada dia. três anos escrevendo em seu corpo, não fisicamente, mas internamente, as marcas daquilo que ele sentia.

na verdade, o protagonista dessa história sempre tenha sido meio auto-destrutivo, sabe. é meio que um masoquismo, mascarado por aventuras amorosas mal sucedidas, por desiluões, por traições, por desencontros.

e, além disso, ele é um especialista em auto-sabotagem. aprendeu isso aos poucos. antes que algo se torne sério, ou minimamente ameaçador, quando podia ser potencialmente perigoso, lá estava o “instinto de proteção às avessas”. meio cruel. meio egoísta. mas estava lá.

aí, quando esse rapaz já estava recuperado da pancada do primeiro amor, eis que surge uma pessoa que mexe com ele de tal forma, e com tamanha intensidade, que o aviso de auto-sabotagem simplismente pára de funcionar. e ele se entrega. de corpo e alma. com tudo. literalmente, se joga no abismo azul e escuro do amor.

foram outros três longos anos, até chegar ao fim do abismo. e, quando finalmente tocou na terra novamente, se viu um um chão repleto de espinhos gigantes, que vão arrancando pele, carne, sangue, a cada passo.

que vão dilacerando a ferida. que, impiedosos, espetam cada vez mais. e, novamente, sangue, muito sangue. a cada passo dado, um espinho é atravessado nesse corpo ferido, e ele então fecha os olhos, e têm diante de si duas opções: ou fica lá, andando em círculos, vendo seu sangue se esvair, sua carne apodrecer, os espinhos rasgando o que resta de seu, ou então ele tenta desviar, seguie em frente, porque talvez lá na frente tenha um vale verde,com um rio bonito e limpo, onde ele limpar e curar todas as feridas que foram feitas na última viagem.

a decisão dele? conto no próximo post.

“you’re the other side of the world, honey.”

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Uma resposta to “”

  1. x Says:

    ai ai.
    para de sentir pena de vc mesmo.

    muito franca.
    te amo.

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