do amor parte 1

By brenomaciel

mas não penses, se é que ousas, que eu sou teu e papo findo. eu sou muitos, e posso ser teu neste instante, e no seguinte, pertencer a outro, a ninguém mais, ou ser de mim mesmo. e não tentes também jogar – eu não admito jogadores, salvo se tu fores realmente bom e me desafiares. porque para se jogar com algo, há que se confiar profundamente na própria habilidade. a maioria, é puro blefe, gente que treme as pernas antes da metade do primeiro tempo.

e não tentes ser simples demais. a simplicidade me incomoda, é fácil demais, todo mundo consegue. é clichê. não vês que eu procuro o diferente? que eu procuro o que é complexo, profundo? e não te atrevas a andar em linha reta – simplesmente te deixarei caminhar sozinho. eu gosto de curvas sinuosas, subir e descer montanhas. a reta para mim, significa morte.

para que entendas do que digo: tu que assistes filmes, repares mais em salas de hospitais. enquanto o coração dança no peito do enfermo, existem picos altos e baixos. sístole e diástole. agora observa quando o movimento na tela do aparelho cessa, e dá lugar a uma linha reta: é a morte. e, se quiseres conviver em paz comigo, precisas entender que é assim que eu sou, e não pretendo mudar agora. eu não sou constante, e não tenho a pretensão de sê-lo.

2 Respostas para “do amor parte 1”

  1. saulobb Disse:

    Post profundo este hein! tenhu um blog agora e espero leva-lo a frente… jah ateh coloquei um link do seu lah!

    http://www.thewarofnerves.wordpress.com

  2. Douglas Disse:

    Cara, que profundo! Parabéns! Continue assim, você é um verdadeiro poeta, sabe jogar com as palavras, tecer, não é qualquer um que consegue fazer isso, temos muitos autores que não chegam aos pés do que vc escreveu. Que venha mais coisas por aí!

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