
e sabe, se hoje eu te encontrasse eu queria saber o porquê. da saudade, da ausência, do medo. eu não ofereço risco - pelo menos não nos primeiros cinco minutos de conversa. me pague uma cerveja, e terá tempo suficiente pra se explicar. não que isso seja uma obrigação sua: tanto não é, que você não o fez. mas, muitas vezes, o bom-senso e o respeito nos pede que tenhamos atitudes que não nos são obrigatórias.
eu iria te fazer entender as coisas pelas quais passei, pra chegar até esse momento, aqui e agora. que eu tropecei, ralei os joelhos, me ferrei, mas vivi. e que uma explicação faria menos mal do que a ausência da mesma, porque deixar alguém sem explicações é cruel, e digo mais, é covarde. é a forma mais terrível que você pode usar pra dizer a uma pessoa que “acabou”. tudo dói menos: a verdade, a amor, o desamor, a traição. mas a ausência de justificativas é o pior caminho que se pode pegar. e, não obstante o gosto ruim na boca, deixa também uma sensação de que eu não fui absolutamente nada pra você, e sequer mereço uma satisfação. é também a forma mais sutil de se reduzir alguém a um monte de merda.
mas também pudera. eu queria poder esperar algo mais. mas você, que deve estar se divertindo agora em algum lugar distante daqui, não faz, nem nunca fez questão. se é que pensa e mim em algum momento, não creio sentir o mesmo que eu. porque eu fui honesto, eu coloquei as cartas na mesa. eu me mostrei, porque não tive medo. talvez devesse ter tido. talvez devesse ter mantido informações menores - nem por isso menos importantes - debaixo da mesa. ou então, devesse tê-las maquiado ou pintado com cores bonitas, com ares de carnaval.
tudo que sei, é que sinto sim, sua falta. não há como negar, mesmo porque eu não preciso fazer isso. eu vivo minha vida, cuido das minhas coisas, você cuida das suas. é a oração da gestalt, de perls, que eu li pra você a um tempo atrás. mas não me peça pra engolir tudo e montar um sorriso despretensioso. como diria renato russo, “queria ser como os outros, e rir das desgraças da vida. ou fingir estar sempre bem, ver a leveza das coisas com humor…”